Sobre o Ateliê de Memória e Narrativa

Ana Carolina Marinho | 05 de Maio de 2015

Sobre o primeiro contato com o Ateliê de Memória e Narrativa

Era a primeira vez em que iríamos compartilhar os desejos para o nosso ateliê. Trabalhar com a memória é sempre fascinante e desafiador. É preciso construir um espaço acolhedor e íntimo para que as lembranças brotem e cresçam com a força com que foram vividas.

Pedimos que cada um levasse uma foto de infância, eram momentos ternos, com os pais, primos, amigos, em casa, no jardim ou sozinha no sofá da sala segurando ursinhos de pelúcia. De todo modo, eram fotos dessa nossa primeira existência, quando criança. É na infância, sem dúvida, que desenvolvemos os primeiros afetos e as primeiras dores. Muitas delas persistentes até hoje. Como criar um espaço de alteridades? Como estimular o outro a dizer sobre si? Como unir a criação à lembrança?

À medida que cada um relembrava aquele dia da foto e a própria infância, ouvíamos atentos e escrevíamos as palavras que saltavam. Era preciso adensar aquelas narrativas. Partimos, então, para a reconstrução daquelas memórias. Tentamos dar conta dos objetos e das pessoas que compunham aquelas fotos. Como é reconhecer o outro no meu espaço e na minha memória quando ele não existia naquele momento?

Existe um universo dentro de cada um de nós. Que possamos compartilhar não só a existência, mas a poesia e a força de cada um.

Decidimos que o Ateliê de Memória e Narrativa seria o território para as nossas histórias, os nossos afetos, as nossas lembranças e, tendo eles como motor, girar a engrenagem da criação. Queremos que ele siga como um território de experimentação, de encontros bons - regados por instantes de poesia, pesquisa e teatro, de reencontros com os vizinhos, amigos e com a comunidade.

Partimos, então, para os nossos primeiros encontros. Decidimos organizar encontros mensais com a terceira idade na biblioteca do CEU Três Pontes, dentro do projeto BiblioFitness. O primeiro deles acontecerá no dia 07 de maio das 8h às 10h e terá como tema a infância. Pedimos para que cada um leve um registro: foto, carta ou outro objeto que lembrem os seus filhos ou os seus pais. Estamos ansiosos para o encontro.

No dia 30.04, realizamos uma ação de recolhimento de histórias, colocando cadeiras na calçada para uma boa prosa. TROCAMOS CAFÉ POR HISTÓRIAS. Esse procedimento pulsou em cada um de nós o desejo em aprofundar-se nele. Cada pessoa que sentou compartilhou conosco lembranças.

Entre goles de café conhecíamos mais uns sobre os outros. Abríamos os corações, os ouvidos e as peles. Decidimos fazê-lo sempre e, cada vez mais, com mais elementos. Levaremos uma máquina de escrever para escrevermos cartas para os amigos e parentes distantes. Basta chegar, sentar, tomar um café e conversar.

Para saber mais informações sobre o Ateliê de Memória e Narrativa basta ligar para o número 98391-0725.Inscreva-se. Experimente-se.

Por Ana Carolina Marinho

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