Manifesto para Magnetização de Atores

Coletivo Estopô Balaio | 01 de Abril de 2017

CHAMAMENTO PARA ATORES

RESIDÊNCIA NOS TRILHOS ABERTOS com o Coletivo Estopô Balaio de criação, memória e narrativa.

 

O ESTOPÔ BALAIO seleciona atores para o processo de montagem do projeto NOS TRILHOS ABERTOS DE UM LESTE MIGRANTE, contemplado pela 29° Lei de Fomento ao Teatro da cidade de São Paulo.

O processo de encontro e magnetização de novos integrantes para o projeto se dá a partir de uma vivência de duas semanas com o coletivo a ser realizado na SP Escola de Teatro, localizada no Brás, próximo a estação Brás da CPTM.

O TERRITÓRIO A SER MOBILIZADO

O Brás é o lugar de encontro e refúgio de muitos imigrantes latino-americanos que trabalham no comercio informal na região do Largo da Concórdia, assim como, nordestinos que até hoje chegam à cidade vindos de áreas rurais do Nordeste Brasileiro. O território artístico e simbólico a ser construído parte da relação com esta memória migrante que constrói uma cidade na visão daqueles que partiram por diversos motivos de suas origens e vieram aportar seus sonhos em São Paulo.

O Estopô Balaio escreveu cartas dentro da Estação Brás da CPTM para migrantes e imigrantes que passam por esta parte do tecido urbano. O trem tornou-se dispositivo de deslocamento pela cidade e metáfora de chegada e partida de sonhos, saudade e desejos de vida. Sotaques, histórias de vida, sonhos, esperanças e frustrações foram compartilhadas dentro da Estação de trem através de depoimentos pessoais que se adensavam no processo de escrita de cartas.

A partir das cartas foram selecionados alguns remetentes e suas histórias de vida que contam da América Latina a partir de seus fluxos migratórios pessoais e se tornaram a dramaturgia a ser encenada pelas linhas de trem que parte do Brás.

CARTAS PARA A CIDADE E SEUS DESLOCAMENTOS

A partir da viagem de trem das linhas que partem do Brás iremos encenar as cartas num procedimento de audiotour que narrarão a história de vida dos remetentes. O objetivo da dramaturgia é deixar passar através dos relatos pessoais fatos históricos que marcam o processo violento de colonização que até hoje traçam o panorama político e histórico da América Latina.

As relações de poder vigentes desde o período da chegada de Cristóvão Colombo marcam um traço de violência e usurpação de valores identitários que se adensam atualmente através dos golpes militares e políticos na América Latina em prol da subserviência econômica do continente ao capital estrangeiro representado pelas grandes corporações econômicas do mundo.

O BRÁS E O TREM COMO ARQUITETURA CÊNICA DAS HISTÓRIAS DE VIDA LATINOAMERICANAS.

O Largo da Concórdia, a Estação de trem e a viagem pelos trilhos será o espaço para a fruição desta dramaturgia. Pelo deslocamento nas ruas e nas viagens de trem as cartas serão entregues a cidade através de uma encenação que busca a mobilização e ocupação de espaços públicos na busca por uma ressignificação simbólica da cidade e de sua memória migrante. A experiência com a dramaturgia sonora criada através do audiotour irá conduzir o olhar do espectador sobre a cidade através de uma itinerância poética pelo Brás e os trens das linhas 10 e 11.

CHAMAMENTO PARA ATORES EM PROCESSOS DE DESCOLONIZAÇÃO

O processo de chamamento para os atores se dará através do convívio com o coletivo durante duas semanas, no qual, os procedimentos de criação da dramaturgia, intervenções urbanas, treinamentos psicofísicos e práticas de convívio estabelecidos ao longo dos processos do Estopô Balaio serão compartilhados com os participantes. Bem como, a troca e os saberes dos participantes irão tecendo novos caminhos para a elaboração da dramaturgia e da encenação.

 O QUE QUEREMOS MAGNETIZAR:

  • Coragem e alegria em expandir-se pela cidade como cidadãos e artistas;
  • Uma escuta aguçada e olhar estético sobre o OUTRO seja ele participante da oficina, morador do Brás, comerciante da região, camelô, morador de rua, enfim, para o OUTRO;
  • Processos de criação de escrita de si através da narrativa do outro – uma história só tem sentido a ser contada quando ela diz respeito a mim;
  • Autonomia e emancipação no processo de criação;
  • Trabalho físico, intelectual e imagético com disponibilidade e potência criativa;
  • Ritmo e harmonia com o tempo do encontro (hora certa para começar e terminar);
  • O corpo é o lugar que escrevemos a cidade e é ele é ponto de chegada e partida para tudo – um corpo em estado de poesia constante;
  • Atores migrantes e imigrantes que vivem na cidade de São Paulo;
  • Envolvimento com as ações desenvolvidas pelo Coletivo no Jardim Romano (Sarau do Peixe e Cinevaral);
  • O artista em estado de ensaiar-se e aberto às provocações do processo como um todo;
  • Disponibilidade para dançar e suar consigo e junto ao corpo do outro;
  • Leveza para encarar as crises e inquietações de um processo de criação;
  • Brilho no olho.

 O QUE NÃO ESPERAR;

  • Processo de sala de ensaio convencional, assim como, apenas a sala de ensaio – A cidade é a sala de ensaio;
  • Relações pautadas numa hierarquia de criação entre direção e atuação – Os atores são responsáveis por suas escolhas juntamente com a direção;
  • As condições “adequadas” para a fruição da obra – aqui estas condições serão criadas conjuntamente, pois estamos em um território relacional com espaços públicos, espaços institucionais e pessoas com diversas formações e orientações de vida;
  • Um processo sério e sisudo – preservamos a “fuleragem” como potência criativa e o jogo como estratégia relacional com o outro e a cidade;
  • Conversas de autocura e orientações de vida – o teatro já cura por si só;
  • Ausências, faltas ou corpo não presente – vamos juntos e brilhemos juntos cada um na sua medida;
  • Medo em lançar-se na aventura da criação – buscamos sempre ampliar um pouco mais os nossos limites em cada encontro e cada processo;
  • Atores estrelas com foco em dramas pessoais – queremos fazer uma história coletiva e para isso é necessário cuidar de si;

EXISTIRMO-NOS AO QUE SERÁ QUE SE DESTINA

Durante duas semanas iremos compartilhar a sala de ensaio, os debates, as leituras, os conflitos, o bar, os telefonemas, enfim, construir laços para a criação de um território vivo e criativo pautado nas seguintes atividades:

  • Escrita de cartas na Estação Brás da CPTM;
  • Processos de criação pautadas na biografia dos remetentes das cartas e autobiografia dos participantes;
  • Treinamento corporal, sensorial e imagético dentro da sala de ensaio, no largo da Concórdia, Estação Brás da CPTM e viagens pelas linhas;
  • Leituras de textos, aulas com professores de diversas áreas, bate-papos;
  • Escrita de textos e elaboração de dramaturgias pautadas na ideia de biodrama;
  • Jogos com texto, elaboração de cenas e divisão em grupos de trabalho para apresentações de experimentos cênicos;
  • Pesquisa de campo pelo entorno da Estação Brás da CPTM;
  • Apresentação do documentário ESTOPÔ BALAIO e conversa sobre os processos de criação do coletivo no Jardim Romano;

O ENCONTRO E O MODO DE SELEÇÃO

A residência artística com os participantes resultará na seleção de atores para o processo de criação do espetáculo a ser encenado pelo coletivo em novembro/dezembro de 2017. Os atores serão remunerados e contratados pelo Estopô Balaio durante sete meses.

Envie a sua intenção a partir da forma que o artista que vive aí dentro se sentir mais vivo. Estaremos recebendo CARTAS DE INTENÇÃO, AUDIOS DE INTENÇÃO, VIDEOS DE INTENÇÃO, enfim, a forma é definida pelo candidato. Juntamente com este material mande um texto falando de tua experiência com o teatro.

Todo o material deverá ser enviado para o email COLETIVOESTOPOBALAIO@GMAIL.COM com o título RESIDÊNCIA NOS TRILHOS.

REFERÊNCIAS DE CONTATO

Obras Literárias:

AS CIDADES INVISÍVEIS, Italo Calvino.

AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA, Eduardo Galeano.

CONFIANÇA E MEDO NA CIDADE, Zigmunt Bauman.

O QUE É UM AUTOR, Michel Foucalt.

O ESPECTADOR EMANCIPADO, Jacques Ranciére.

RALÉ BRASILEIRA, QUEM É E COMO VIVE, Jessé de Souza.

UM SER MIGRANTE: IMPLICAÇÕES TERRITORIAS E EXISTENCIAS DA MIGRAÇÃO, Eduardo Marandola e Priscila Marchiori. (artigo disponível em PDF)

Audiovisuais:

A doutrina do choque – Naomi Klein.

https://www.youtube.com/watch?v=Y4p6MvwpUeo

A revolução não será televisionada – Direção: Kim Bartley e Donnacha O´Brian.

https://www.youtube.com/watch?v=MTui69j4XvQ

O botão de pérola – Direção: Patricio Guzman.

O mundo global visto do lado de cá – Silvio Tendler.

https://www.youtube.com/watch?v=-UUB5DW_mnM

Os grandes arquétipos da História Latinoamericana – Roberto Gambini.

https://www.youtube.com/watch?v=uhXtAKWl2To

SERVIÇO:

SELEÇÃO PARA A RESIDÊNCIA ARTÍSTICA COM O COLETIVO ESTOPÔ BALAIO

Público-alvo: atores (i)migrantes

Dias: 18.04 a 28.04 (terça a sexta)

Horário: 14h00 às 17h30

Local: SP Escola de Teatro (Brás)

Enviar currículo e carta de interesse para o e-mail contato@coletivoestopobalaio.com.br com o assunto “Residência nos trilhos”

Para este chamamento solicitamos que os interessados leiam o MANIFESTO PARA ATORES que está no site www.coletivoestopobalaio.com.br, lá vocês encontrarão mais informações sobre a seleção e a residência artística.

 

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