Sobre o Ateliê de Desenho

Renato Caetano | 07 de Maio de 2015

Quando se é permitido aguçar a CONSCIÊNCIA enquanto SABER das possibilidades de visualizar o desenho para além do papel, saltamos o olhar para imagens que por vezes possam passar despercebidas. Por exemplo, podemos encontrar formas que dialoguem esteticamente com imagens criadas no papel/ou outro suporte físico ou até mesmo no nosso próprio corpo.

Será possível então encontrar imagens de potência estética tão grande que seja possível se resignificar e torna-la desenho? Onde podemos voltar nosso olhar? Como amadurecer o olhar, refina-lo para que a ação criativa se dê não apenas no lápis no papel, mas também no AGIR buscando o desenho em outros suportes como fotografia, colagem, grafite, animação ou mesmo elevar para tridimensional o que por sua vez se manifesta no bidimensional?

SE O DESENHO TE  PROVOCA, NOS PROVOQUEMOS!?!

Abaixo, um relato do primeiro dia de aula do ateliê:

Há um ansiedade que teima em fazer pulsar o coração – ele bate, bate – como quem anseia pela pessoa amada que está por chegar.
    E eles chegam, DOIS ?
    Subimos para o espaço escolhido para dar o start de início dos nossos encontros, bancos que se tornam mesa, chão e muita vontade de fazer. Ele – Pedro, ela – Isabella, Eu, Bruno e Clayton.
    A ação em meio a conversa e já acontece o fazer – desenho enquanto ação:

Mergulho em essência, o que seria a essência do desenho? O ponto como a premissa do traço. O psicodélico como imagem infiltrada que caminha pelo decorrer do resto do dia...
    - Boa tarde! Eu vim só dar um oi e trazer o Orfeu!
    - Orfeu que nome da hora!
    Orfeu, aquele que por paixão pousa os olhos naquilo que pra ele é o mais belo, Eurídice, e concretiza sua própria tragédia.
    Como trabalhar a minha/nossa visão em relação ao que é belo? De que beleza falamos?
    Linhas... linhas que não se aplicam na igualdade, mas na diferença!
    Assinatura que finaliza a obra, a obra que se abandona e por isso se finda – findar a obra! Logo assinemos, registro que ME caracteriza como EU – Eu que Fiz/faço.
    - Assina eu e você?
    - Lógico. É um dueto! – o desenho como canção!
    As cores que por serem usadas começam a ser compreendidas – primárias? Já pensou em usar Isa? VERMELHO, AMARELO e AZUL?
    - Posso botar uma música?
    A música que me auxilia na criação, a música que me convida a continuar na ação, qual música? O que ouvir? Como me afeta te afeta também? Que caminhos são esses que me estimulam a criar da forma que crio – Música, desenho = AÇÃO!
    Le Fabuleux Destin D´Amélie Poulain
    Sigur Ross
    Magic!
    Sia
    O encontro com o peso da minha mão, a mão que risca com o grafite – descobertas! Não sabia que eu tinha essas manhas com grafite, não!
    Como fabular um processo de criação de mundo como de Amelie Poulain!?
    O silêncio de Isa, os comentários de Pedro!
    Epopeia bíblica – Pedro e Isa!
    Confia! Vai lá! Vamos lá! Juntos!
    - Acho que parou meu fluido cerebral!!
    Os labirintos de Isa que dialogam com os “minotauros” de Pedro!
    A psicodelia como manifestação da mente que produz efeitos profundos sobre a experiência consciente! O mundo de Tim Burton ...
    A mente com seus mistérios, como provoca!? Quantas surpresas, quantos pactos não ditos, quantos histórias sendo contadas sem uma palavra, quanta estética sendo re-construida em pouco mais de 2horas! Como se as cores e as manifestações provocadas pela mente, ativessem uma psicodelia que perpassa entre os corpos que agem! Estado de sonho, sono, real ou irreal, o que é meu é o seu e o seu é meu! A CRIAÇÃO...

    O céu é o limite...

Por Renato Caetano

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