Escrevendo cartas

Ana Carolina Marinho | 22 de Julho de 2015

Há alguns meses colocamos uma mesa e algumas cadeiras em frente à estação Jardim Romano da CPTM e escrevemos cartas gratuitamente.

Anexamos a elas uma foto instantânea do remetente tirada na hora da escrita. Convocamos o outro a escrever cartas para parentes distantes (quando existem) ou para amigos e parentes próximos. Decidimos instalar o Ateliê de Memória e Narrativa ali, em frente à estação, na rua.

Uma forma de instituir o convívio no espaço público. De construir aos olhos de todos uma relação de afeto. De estar presente nos instantes de partida e chegada. Somos os destinatários daqueles que chegam e o remetente daqueles que partem.

Algumas cartas foram reescritas depois de prontas, é que o remetente decidiu mudar o destinatário. Outras foram escritas para os pais que estão longe e que não conseguem acompanhar o crescimento dos filhos. Outras escritas para pedir em casamento a nora.

Muitas cartas de amor e paixão. Outras tantas de saudade. Palavras que tentam acalmar a solidão nessa grande cidade.

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