"O Estopô Balaio fez uma revolução no Jardim Romano". Entrevista com Emerson Alcalde

Ramilla Souza | 03 de Julho de 2015

Emerson Alcalde se mostra, antes de tudo como poeta. Mas, ele é bem mais do que isso. Coordenador de Projetos do Núcleo de Ação Cultural no CEU Três Pontes, Alcalde tem uma relação forte com o bairro do Jardim Romano. A parceria com o Coletivo Estopô Balaio se deu na forma de poesia, no espetáculo "A cidade dos rios invisíveis", no qual Alcalde interpretava Seu Zé e recitava em frente ao rio. Daí por diante, sua relação com o grupo só se fortaleceu e ele foi um dos homenageados do Sarau do Peixe, em março. Leia abaixo a entrevista sobre o bairro, cultural e sobre o Coletivo.  

Estopô Balaio: Qual sua relação com o bairro do Jardim Romano?

Emerson Alcalde: A mais de quinze anos atrás eu freqüentava o bairro, na época eu tinha um grupo de rap Legião D’Mc’s e conhecíamos algumas pessoas que organizavam shows nas ruas do Jardim Romano, principalmente o DJ Claudião, que fazia festas na rua em frente sua casa e ali fazíamos nossas apresentações. E há um ano e meio retorno ao bairro como coordenador de projetos do núcleo de ação cultural do CEU Três Pontes. Passo a maior parte do meu tempo neste bairro. Aqui fiz muitas amizades. Conheci dois movimentos que me marcaram fortemente: o Passinho do Romano e o Coletivo Estopô Balaio. Envolvidos nestes dois movimentos eu conheci muita gente talentosa e me aproximei ainda mais desta comunidade

EB: Como você conheceu o trabalho do Coletivo Estopô Balaio?

EA: Ao chegar aqui no CEU tomei conhecimento deste grupo. Assisti ao espetáculo “O que sobrou do Rio”, achei incrível a junção do social com a estética elaborada. E pra mim esta junção é fundamental em teatro.

EB: Como você vê a atuação do grupo no bairro?

EA: O grupo fez uma revolução social, cultural e sexual no bairro. Resgatou sua história e deu voz aos seus protagonistas/moradores/atores. Colocou o bairro no mapa cultural da cidade. O grupo tem uma atuação sincera, afetiva com o bairro e seus moradores.

EB: Qual a importância de criar obras que contem a história dos próprios moradores do Jardim Romano?

EA: Todo teatro conta a história do seu povo, de um modo ou de outro, neste caso através das narrativas documentais o grupo presentifica fatos marcantes deste lugar tão afetado pelas enchentes.

EB: Como você vê a produção de cultura no bairro e na Zona Leste?

EA: Este bairro tem uma história cultural muito forte, antes com as equipes de bailes blacks, o rap, o funk, o teatro etc. Destaco alguns trabalhos que são fundamentais para este bairro, o grafiteiros Ignoto, Família Nada Consta, Estopo Balaio, MC Barriguinha, MC Pajé, para citar alguns que são reconhecidos pela quebrada. A zona leste é um dos locais mais fortes na cultura, são muitos grupo, coletivos e redes de cultura que promovem atividades e ações que mobilizam a cidade e, de uma certa forma, o país.

Para saber mais sobre o trabalho de Emerson Alcalde, curta a página: Slammer Emerson Alcalde

 

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