Diário do Espectador A Cidade dos Rios Invisíveis: Bruno Fracchia

Coletivo Estopô Balaio | 02 de Junho de 2016

Depoimento do viajante Bruno Fracchia:

A CIDADE DOS RIOS INVISÍVEIS: O TEATRO NECESSÁRIO

Saia do eixo central paulistano. Assista ao teatro que está e vai além.

E descubra uma região desconhecida de São Paulo. Vivendo uma experiência estética única.

No último sábado, tive a oportunidade de assistir A Cidade dos Rios Invisíveis,um espetáculo teatral homérico! Aos meus amigos paulistanos, recomendo muito que corram a assisti-lo. É só mais este final de semana.

Pensamento estético e político casados de uma forma belíssima. A ação cultural do grupo é muito forte. Desloca-se o público do eixo central do circuito teatral paulistano para a extrema zona leste de São Paulo, no bairro do Jardim Romano, evitado e desconhecido por direita e também esquerda discursiva e verborrágica. este deslocamento é necessário para a abordagem do tema da peça: a história do bairro Jardim Romano.

A força política desta ação cultural do Grupo não os deixa na zona de conforto do privilégio ao discurso à estética (como se estética fosse coisa feia). Há uma poética muito bem construída em tudo: na casa-instalação, nas interpretações, nas coreografias, nas músicas, na dramaturgia. Há o teatro na sua ideia original, palco de congraçamento. Há a comunidade integrada e se integrando à peça. Há o teatro como palco de encontro/reunião social, sem margem para aquele espectador de boca aberta, a dormir, enganando diretores envoltos na "experiência estética única" que acreditam proporcionar ao dorminhoco.

Este espetáculo é exclusivo do Jardim Romano, bairro que tenho me afeiçoado bastante. Mas espero conseguir que outras peças do grupo um dia participe do FESTA- Festival Santista de Teatro, pois o diálogo é muito vivo.
Aos amigos do Estopô Balaio, meu muito obrigado!

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