Histórias de enchentes criam teatro verdadeiro

Por Maria Fernanda Vomero

Há três anos a população do Jardim Romano, bairro do extremo leste paulistano, enfrentou uma das piores enchentes de sua história. Foram três meses de alagamento, entre dezembro de 2009 e fevereiro de 2010. Mais ou menos por essa época, o coletivo Estopô Balaio iniciou uma ocupação artística no bairro, a fim de escutar e registrar as histórias dos moradores e reconstituir a memória social do lugar.

O processo de pesquisa originado nesse encontro resultou em dois espetáculos: Daqui a Pouco o Peixe, de 2012, cuja dramaturgia não-linear tomou como base as entrevistas feitas, e O Que Sobrou do Rio, que agora se apresenta no Memorial da América Latina. O coletivo – formado pelos artistas João Júnior, Ana Carolina Marinho, Júlia Salgueiro e Recy Freire – usou a casa (a experiência "privada" da enchente) como campo de investigação. Microdramaturgias foram sendo criadas em diálogo com os cômodos de uma moradia simbólica. Atores e moradores contracenam no quarto de Luana, na laje de Dona Netinha, na cozinha de Dona Lica, na escada de Dona Adelina e no Jardim de Seu Rafael. A instalação, que pode ser visitada, foi criada pelos artistas Daniel Freitas e Júlia Salgueiro. A encenação se completa com recursos audiovisuais.

O QUE SOBROU DO RIO  De 12 a 14/7, qui a sáb. 20h, dom. 18h; de 18 a 20/7, qui. a sáb. 20h, e dia 21/7, dom. às 18h. Gênero: performance. Duração: 90 min. Classificação: 14 anos. Memorial da América Latina: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Metrô Barra Funda, tel. 3823-4600. Grátis. Acesso para deficientes físicos. Visitação da instalação A Casa Molhada: de 9 a 21/7, ter. a dom. 10h/17h.

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